quinta-feira, 8 de junho de 2017

O pavão e a toupeira

O pavão é um animal bonito. Bonito e aparecido. Todos sabem onde ele está. Sua cauda impressiona e as pessoas o vêem mesmo de longe. É um bicho muito bom de propaganda.
Já a toupeira, nem todos conseguem vê-las. Nem todos sabem por onde passam seus túneis. Por mais complexo que sejam, alguns podem passar tranquilamente por cima deles sem notá-los. Ver de onde a toupeira sai e onde quer chegar, talvez não seja possível à olhos nus. Não é um animal aparecido.
Tem organização de esquerda com muito pavão pra pouca toupeira. Adora aparecer mas não faz trabalho de base!

Ser professor é igual um pão de queijo

Ser professor é igual ser um pão de queijo. Quando tiro a forma de pão de queijo do forno, dou uma balançada para que eles se desgrudem da forma. A princípio continuam ali, imóveis, inertes, mas é só o primeiro se desgrudar da forma que ele começa a fazer um bate-cabeça com os outros pães de queijo, fazendo com que os outros se desgrudem progressivamente. Conforme vão se desgrudando, ajudam outros a se desgrudarem. A diferença é que professores não ficam tão bons com requeijão. Ponto pro pão de queijo!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A burguesia está em crise, e nós?

Os últimos episódios da política brasileira nos mostra a relação pornográfica entre empresariado e políticos. Não que essa relação seja nova, longe disso. Em 1848 Marx e Engels já falavam sobre. Mas os elementos que comprovam que o Estado nada mais é do que um balcão de negócios comum à toda burguesia agora estão escrachados. Mas porque?
Estão escrachados porque a Globo e seus pares estão fazendo questão de nos mostrar isso diariamente, de hora em hora. Mas fazem isso porque tem compromisso com o bom jornalismo? Jamais! Fazem isso pois estão rachados. A burguesia rachou. E não é apenas a Globo que rachou com algum setor, a Globo é poderosa mas sozinha não apita nada. A Globo descer a lenha em Aécio por 1h no jornal nacional e limarem Temer é expressão de que seus amiguinhos/financiadores estão pedindo cabeças. Pedem cabeças pois quem está no poder não lhe interessa mais, Temer já não estava apto a promover as reformas que tanto necessitam. Mesmo sendo um tradicional representante dos interesses burgueses, diferente dos recém capacitados do PT, Temer e Aécio por algum motivo precisaram rodar.
As veias do Estado estão abertas. Sua essência burguesa nunca esteve tão explícita quanto agora. E nesse quadro nossa classe tem algumas possibilidades. 1- Podemos ficar no "Fora Temer", e deixar que Maia, Eunício Oliveira, ou até mesmo que Carmen Lucia, que já está mancomunada com os patrões, cheguem na presidência. 2- Podemos também reivindicar o "diretas já" e continuar acreditando no messianismo, no salvador da pátria e nos iludir com Lulão pai dos pobres e mãe dos ricos, deixar aventureiros como Huck e o playboy do Dória galgarem algo, deixar como alternativa LuluLacradora ou FechoFreixoPPP , delírio, ou, ou, ou, OU... 3- podemos utilizar desse momento de racha da burguesia e mostrar os dentes, ir pra cima. Porque não ir além da Greve Geral do dia 28 de maio e paralisar agora por 48h? Parando a produção, transporte e circulação de mercadorias é que pressionaremos de fato os que estão no poder, os capitalistas. Paralisando mexeremos em seus bolsos, em seu lucro. O poder não está em Brasília. Em Brasília estão apenas os fantoches dos poderosos, e além disso, devemos ir pra Brasília pra que? Pra dizermos que estamos descontentes? Como se eles não soubessem disso, não são burros, e ainda são muitíssimo organizados.
E assim, "diretas já", "fora Temer", "constituinte", são em vão. É pedir mais do mesmo e acreditar que o máximo que está em nosso alcance se encontra nos limites da democracia-burguesa. Temer não nos interessa, assim como qualquer um que assuma a presidência do Estado burguês, nem que fosse Rosa Luxemburgo, e olha que a Rosa é muito boa! Não existe exército de um homem só, nem de uma mulher só, nosso exército é nossa classe e só essa se colocando em movimento é que deixaremos de perder direitos, deixaremos de sermos explorados e tomaremos o céu de assalto!
Temos que tomar cuidado com a esquerda que ergue o punho cerrado com uma mão e entrega o santinho com outra. Nada de cair no canto da sereia que são as eleições, e nem de nos iludirmos com o judiciário. Esse é o campo da burguesia e só dela. Devemos levar em frente as mobilizações de base! Nos organizando nos locais de trabalho, estudo e moradia para fazer luta, e não candidatos!
"Nem patrão, nem eleição, nossos direitos virão por nossas mãos!"

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Desonestidade intelectual

Reconhecer que Lula e o PT fizeram parte da história do movimento operário é ser sincero. O Partido dos Trabalhadores foi um instrumento de luta da classe trabalhadora. Reconhecer o seu papel na história de nossa classe é ser justo, e desconsiderá-lo beira a desonestidade intelectual.
Ter sido um dia não quer dizer que será para sempre. Foi, não é mais.
Reconhecer que essa organização que nasceu com a classe operária, virou o seu contrário e mudou de lado na luta de classes, também é ser sincero. Desconsiderar tal processo beira a desonestidade intelectual.
Essa mudança pode ser dolorosa, como o término de um relacionamento. Mas pior que terminar um relacionamento, é se manter por décadas em um relacionamento fracassado.
*Escolher um lado na luta de classes não é nem de longe escolher entre Lula e Moro!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Contradições

O bancário, que mexe com dinheiro o dia todo, não tem dinheiro.
O açougueiro não compra carne a meses, sua mistura é ovo.
O metalúrgico que constrói fogões parcelou o seu em 12 vezes.
A professora da escola pública coloca seu filho pra estudar em escola particular.
A empregada doméstica trabalhava cuidando do filho dos patrões, enquanto sua filha ficava com a vizinha.
Contradições, contradições...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A Portuguesa e a lava-jato.

Desde que me decepcionei com o futebol, quando a Portuguesa vendeu sua vaga na série A, só fui em jogos de outros times. Ver o Velo Clube tomando uma sapecada do Novo-horizontino em nada me abalava. Não torcia para nenhum deles mesmo.
Ver a briga entorno da Lava-Jato também não me abala. Não preciso tomar partido entre grupo da Kátia Abreu ou do Skaf. Tomar parte entre frações da burguesia se digladiando em disputa de maior poder político, de duas uma: ou está enganado ou está enganando.
Nas duas, fico só assistindo.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Meu pai e a reforma da previdência

Quando eu era pequeno e pedia algo para o meu pai, muitas vezes tinha como resposta um "depois a gente vê...". Quando eu voltava a reivindicar o reivindicado a resposta geralmente não mudava, "depois a gente vê". Com o tempo fui percebendo que essa era uma maneira eficiente de Seu Flor me engambelar.
A reforma da previdência vai passar, os trabalhadores não se aposentarão, perderão inúmeros benefícios, e assim como eu que só percebi que meu pai estava me enrolando depois de algum tempo, os trabalhadores só perceberão que serão velhos demais pra trabalhar e novos demais pra se aposentar depois de algum tempo.
Ou nos colocamos em luta, enquanto classe trabalhadora prestes a perder direitos, ou "depois a gente vê"...